Comer pouco e longevidade

Dr. Gabriel Cousens *
Tradução exclusiva para Doce Limão Fernando Trucco: Professional Translations

O segredo do consumo correto de alimentos vivos é que eles restauram a saúde e promovem a longevidade. A questão interessante é: como eles fazem isso? 

Vamos começar com algumas das informações básicas que são conhecidas há séculos sobre a longevidade, bem como as pesquisas mais recentes que começaram nos anos 1930. O Dr. Kenneth Pelletier, como parte de sua pesquisa sobre longevidade, estudou culturas que tiveram uma longevidade maior e criaram pessoas mais saudáveis, como na região de Vilcabamba no Equador (particularmente os índios Vilcabamban), os Hunzas do Paquistão Ocidental, os índios Tarahumara do México e o povo russo da região Abkhasian. O Dr. Kenneth descobriu que estes povos consumiam significativamente menos calorias totais, cerca de 50% menos do que a dieta americana típica.

Nos anos 1930, o Dr. Clive McCay, da Cornell University, descobriu que era possível dobrar a expectativa de vida dos ratos reduzindo pela metade a ingestão de alimentos. O professor Huxley estudou a duração da vida dos vermes e descobriu que, quando eram submetidos a uma alimentação restringida em forma periódica, era possível prolongar 19 vezes a vida dos vermes.

É importante salientar que o Dr. McCay, citado acima, publicou seu estudo com ratos no Journal of Nutrition, e descobriu que os ratos com restrição de calorias não tinham apenas uma vida consideravelmente mais longa, mas também eram mais saudáveis e se mantinham mais jovens quando comparados com os ratos de controle. 

Os ratos de controle ficaram fracos e vulneráveis, e quando se aproximaram do fim natural da vida que é de aproximadamente 32 meses de idade (equivalente a 95 anos em termos humanos), todos os ratos de controle morreram. No entanto, os ratos com restrição calórica ficavam vivos, jovens e vigorosos, e os mais velhos viveram 1.456 dias, aproximadamente 150 anos em termos humanos. 

A restrição calórica é o único procedimento que sabemos é capaz de retardar consistentemente o envelhecimento em todas as espécies de animais, incluindo os vários mamíferos. A restrição calórica resulta em uma vida útil prolongada e pressão arterial mais baixa, reduz os anticorpos destrutivos que atacam o cérebro, reduz a perda de certas células cerebrais, fortalece o sistema imunológico, retarda o processo de envelhecimento, reduz o colesterol e o risco de doenças cardíacas, reduz a perda de oxigênio e melhora a função muscular, reduz os danos dos radicais livres nos tecidos do organismo, ajuda a estabilizar o açúcar no sangue na diabetes do adulto, e ajuda o organismo a funcionar com a máxima eficiência metabólica. 

A restrição calórica tem aprovado todos os testes realizados para o tratamento do envelhecimento.
Na verdade, parece ajudar em todas as variáveis de saúde utilizadas para verificar a longevidade. 

Embora seja difícil fazer estudos de duplo-cego com seres humanos, há muitos casos históricos de indivíduos que tiveram benefícios na saúde e na longevidade que se alimentaram em forma restringida. Este não é um novo achado. Por exemplo, São Saint Paul the Anchorite viveu 113 anos comendo apenas tâmaras frescas e bebendo água. Thomas Cairn, nascido em Londres em 1588, que viveu até 207 anos, foi outro caso famoso que se alimentava em forma restringida.   

O caso do Sr. Jenkins, nascido em Yorkshire, Inglaterra, que viveu de 1500 a 1670, nunca tomou café da manhã e semelhante ao de Thomas Cairn, se alimentava com leite cru ou manteiga com mel e frutas no almoço e no jantar. 

Os franceses também adotaram isto. A condessa Desmond Catherine se alimentava apenas de frutas. Esta informação foi retirada do trabalho do Dr. Edmond Bordeaux Szekely. 

Um dos casos mais famosos de alimentação restringida de todos os tempos é o de Luigi Cornaro, que viveu de 1464 a 1566. Luigi era um nobre veneziano. Na época ele tinha 40 anos e comia com extrema exagero até ficar perto da morte. Ele foi assistido pelo doutor padre Benedict, que ensinou para ele a arte da vida natural e da alimentação restringida.  

O padre Benedict fora ensinado por um essênio da África chamado Constantine, que pregava os caminhos naturais dos essênios na Escola de Medicina de Solano, onde o doutor padre Benedict foi treinado. Luigi sobreviveu a sua alimentação excessiva e viveu até os 102 anos. Uma vez que ele aprendeu as técnicas, ele simplificou sua dieta para 340 g de alimentos sólidos e 400 ml de líquido por dia. Ele cunhou duas afirmações simples sobre a longevidade, que, aliás, ensinou ao papa Estas eram: 

“Quanto menos eu comia, melhor me sentia”

“Não se satisfazer com a comida é a ciência da saúde” 

Então, parece que esta nova pesquisa que estamos examinando não é tão nova quanto pensamos. 

O Dr. Stewart Berger em seu livro Jovem para Sempre (“Forever Young”) fala claramente sobre como trabalhar com este princípio do antienvelhecimento. 

Todas estas pesquisas mostram que uma redução na ingestão calórica diária, de até cerca 60% da “dieta americana normal”, parece criar um efeito antienvelhecimento. Quando diferentes animais de teste receberam uma dieta com uma queda de 40% na ingestão calórica normal, eles viveram aproximadamente 83% mais tempo. Isto é aproximadamente 137 anos em termos humanos. 

O Dr. Berger esclareceu o que significa um nível de 60% de calorias. Para mulheres que tipicamente precisam de 2.000 calorias por dia, a redução é de cerca de 1.300 calorias. Para os homens que consomem em torno de 2.700 calorias, a redução é de cerca de 1.650 calorias. O Dr. Berger extrapolou este conceito dizendo que, se o seu peso na balança diminui aproximadamente 20%, certamente você estará atingindo o efeito da restrição calórica e, idealmente, ótima longevidade e bem-estar. 

Um dos efeitos benéficos da ingestão de alimentos vivos e da desintoxicação é o efeito anticâncer. Está bem estabelecido que a restrição calórica seja "pró-apoptótica", o que significa que ela promove o suicídio celular de células danificadas ou cancerígenas. 

Alimentos vivos - um modo natural de restrição calórica 

O consumo de alimentos vivos é a maneira mais simples e mais poderosa de obter um efeito calórico saudável, sem ter que fazer dieta. Isso ocorre porque cozinhar alimentos geralmente resulta na destruição de 50% das proteínas, de acordo com o Instituto Max Planck, e aproximadamente 60-70% de vitaminas e minerais assimiláveis, até 96% da B12 e 100% de enzimas e fito nutrientes. 

Em outras palavras, basta comer aproximadamente metade da quantidade de alimentos e calorias em uma dieta de comida viva, comparada com uma dieta de alimentos cozidos, para obter uma quantidade equivalente de vitaminas, minerais, proteínas e fito nutrientes. 

Em um regime de comida viva saudável, obtém-se automaticamente o efeito antienvelhecimento de restrição calórica sem necessidade de dieta. Em alimentos vivos, um individuo normalmente atinge o que eu considero um peso saudável. Este é o peso ideal para a extensão da vida e proteção contra doenças crônicas. 

Sabemos que o jejum periódico há séculos é uma das formas mais poderosas de prolongar a vida e minimizar as doenças crônicas. O jejum é uma forma acelerada de restrição calórica, e seus efeitos concordam com os achados da pesquisa de restrição calórica do Dr. Spindler.

 O Centro de Rejuvenescimento da Árvore da Vida (“The Tree of Life Rejuvenation Center”) é um dos principais centros de retiro de jejum espiritual do mundo (se não o primeiro). Devido a que dirigimos retiros de jejum em grupo, Shanti (meu parceiro) e eu, estamos jejuando um total de um mês por ano com sucos verdes. 

Essas duas medidas simples de saúde, comer alimentos vivos e jejum periódico, criam condições ideais para prolongar a vida, evitar ou minimizar doenças crônicas, e aperfeiçoar a qualidade de vida. Este é realmente um segredo sutil da alimentação viva.

Assista AGORA: Por que o jejum turbina seu cérebro

Leia também: Os 7 estágios da doença fantástico texto escrito pelo Dr. Cousens.

(*) O dr. Gabriel Cousens é um médico homeopata, diplomata do Conselho de Medicina Holística dos Estados Unidos, diplomado em medicina Ayurvédica. Há 35 anos desenvolve um programa de cura natural do diabetes, com sucesso extraordinário. É o fundador e diretor do Instituto Tree of Life (onde se pratica a Dieta do Arco-Íris, a Nutrição Funcional e Alimentação Consciente), no Arizona, Estado Unidos.  Dr. Gabriel Cousens é autor de nove livros aclamados internacionalmente. 

Blog do Dr. Gabriel Cousens

(**) Fernando Trucco - Tradução exclusiva para Doce Limão: Professional TranslationsReprodução permitida desde que citada a fonte e o tradutor.


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