Os humanos possuem uma inteligência nutricional surpreendente

Fonte: Science Daily - Universidade de Bristol - Abril/2022
Tradução especial para Doce Limão: Professional Translations 

Pesquisas pioneiras lançaram uma nova luz sobre o que impulsiona as preferências alimentares básicas das pessoas, indicando que nossas escolhas podem ser mais inteligentes (do que se pensava anteriormente) e influenciadas pelos nutrientes específicos, em vez de apenas calorias, de que precisamos. 

O estudo internacional, liderado pela Universidade de Bristol (Reino Unido), se propôs a reexaminar e revisar a visão amplamente difundida de que os humanos evoluíram favorecendo alimentos densos em energia e nossas dietas são equilibradas simplesmente pela ingestão de uma variedade de alimentos diferentes. 

Ao contrário dessa crença, as novas descobertas revelaram que as pessoas parecem ter uma "sabedoria nutricional", segundo a qual os alimentos são selecionados além da fome, também para atender às nossas necessidades de vitaminas e minerais e evitar deficiências nutricionais.

O autor principal, Jeff Brunstrom, professor de psicologia experimental, disse: "Os resultados de nossos estudos são extremamente significativos e surpreendentes”.

Pela primeira vez em quase um século, mostramos que os humanos são mais sofisticados em suas escolhas alimentares e parecem selecionar com base em micronutrientes específicos, em vez de simplesmente comer para satisfazer vontades e/ou necessidades energéticas."

O artigo, publicado na revista Appetite, dá peso renovado a uma pesquisa ousada realizada na década de 1930 por uma pediatra americana, Dra. Clara Davis, que colocou um grupo de 15 bebês em uma dieta que lhes permitiu "auto selecionar", ou em outras palavras, comam o que queiram, entre 33 alimentos diferentes. 

Embora as crianças escolhessem diferentes e variadas combinações de alimentos, todas alcançaram e mantiveram um bom estado de saúde, o que foi qualificado como uma evidência de "sabedoria nutricional".

Suas descobertas foram posteriormente analisadas e comentadas, mas replicar a pesquisa da Dra. Davis não foi possível porque essa forma de experimentação em bebês hoje seria considerada antiética. 

Em consequência se passou quase um século desde que qualquer cientista tentasse encontrar evidências sobre a sabedoria nutricional em humanos, uma capacidade que também foi identificada em outros animais, como ovelhas e roedores.

Para superar essas barreiras calóricas, a equipe do professor Brunstrom desenvolveu uma técnica baseada na medição das preferências das pessoas pelo meio de imagens de diferentes combinações de frutas e vegetais de forma que suas escolhas pudessem ser analisadas sem colocar a saúde ou bem-estar em risco.

No total, 128 adultos participaram em dois experimentos. O primeiro estudo mostrou que as pessoas preferem certas combinações específicas de alimentos. Por exemplo, maçã e banana podem ser escolhidas com um pouco mais de frequência do que maçã e amoras, etc. 

Notavelmente, essas preferências pareceram ser selecionadas pelas quantidades de micronutrientes combinados que forneçam um equilíbrio adequado. Para confirmar esta proposição, eles realizaram um segundo experimento com diferentes alimentos, descartando outras hipóteses possíveis.

Para complementar e cruzar os resultados foram estudadas as combinações de refeições do mundo real, em conformidade com a Pesquisa Nacional de Dietas e Nutrição do Reino Unido. 

Os resultados obtidos demonstraram novamente que as pessoas combinam as refeições de maneira que aumente a ingestão de micronutrientes em suas dietas. 

Especificamente, os componentes das refeições populares do Reino Unido, por exemplo, “peixe e batatas fritas” ou “arroz ao curry”, parecem oferecer uma gama mais ampla de micronutrientes do que as combinações de refeições padrões geradas aleatoriamente, como “chips e curry”.

O estudo também foi notável, pois apresentou uma colaboração incomum de autores. O co-autor do professor Brunstrom, foi o jornalista Mark Schatzker, escritor residente do Centro de Pesquisa de Dieta e Fisiologia Moderna, afiliado à Universidade de Yale. 

Em 2018, os dois se conheceram na Flórida na reunião anual da Society for the Study of Ingestive Behavior, onde o Sr. Schatzker fez uma palestra sobre o seu livro: The Dorito Effect, que examina como o sabor dos alimentos integrais e processados ​​têm tido implicações para a saúde e o bem-estar das pessoas.

Curiosamente, a pesquisa do professor Brunstrom e Mark Schatzker originou-se de um desacordo.

O professor Brunstrom disse: "Eu assisti à fascinante palestra do Mark onde ele desafiou a visão geral dos cientistas de nutrição comportamental, que afirmam que os humanos só procuram calorias nos alimentos”.

Ele apontou, por exemplo, que vinhos finos, especiarias raras e cogumelos selvagens são muito procurados, mas são uma fonte pobre em calorias.

"Isso tudo foi muito intrigante, então fui vê-lo no final da palestra e basicamente disse para ele: - Boa palestra Sr. Mark, mas acho que você provavelmente está errado; vamos examinar juntos?"

"Isso marcou o início de uma jornada maravilhosa, que finalmente indicou que eu estava errado".

"Longe de ser um conceito um tanto simplório e arriscado, como se acreditava anteriormente, os humanos parecem possuir uma inteligência perspicaz quando se trata de selecionar uma dieta nutritiva".

Mark Schatzker acrescentou: "A pesquisa levanta questões importantes, especialmente para o ambiente e costumes alimentares modernas. Por exemplo, nossa fixação cultural com as dietas da moda, que limitam ou proíbem o consumo de certos tipos de alimentos, perturbam essa "inteligência" dietética em maneiras que ainda não tem uma compreensão generalizada?"

"Estudos mostraram que os animais usam o sabor como uma guia orientadora para obter as vitaminas e minerais que necessitam”.

"Se o sabor desempenha uma função semelhante para os humanos, então podemos estar revestindo a comida lixo, como batatas fritas e refrigerantes, com um falso “atributo” nutricional quando adicionamos aromas e sabores artificias".

"Em outras palavras, isto demostra que a indústria alimentícia está jogando contra nós, fazendo-nos comer alimentos que normalmente evitaríamos contribuindo assim para a epidemia da obesidade".


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* Conceição Trucom
 é química, pesquisadora, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Possui 10 livros publicados, entre eles O Poder de Cura do Limão (Editora Alaúde), com meio milhão de cópias vendidas, Mente e Cérebro Poderosos (Pensamento-Cultrix) e Alimentação Desintoxicante (Editora Alaúde).

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citadas a autora e a fonte: www.docelimao.com.br

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