O que sabem os médicos a respeito do elo entre nutrição e doença?

O que sabem os médicos a respeito do elo entre nutrição e doença?

Bloyd-Peshkin e Corydon Ireland *

Das dez principais causas de morte entre os norte-americanos, seis estão relacionadas à alimentação: doenças cardíacas, câncer, der­rame, diabete, problemas crônicos do fígado e arteriosclerose. As cinco doenças mais fre­quentes - hipertensão, obesidade, osteoporose, problemas dentários e gastrointestinais; também estão ligadas à alimentação.

Portan­to, para 2 entre 3 americanos adultos que não fumam nem bebem excessivamente, uma escolha pessoal influencia a saúde mais do que qualquer outro fator: aquilo que comemos!

Já que a relação entre nutrição e saúde é tão clara, seria lícito supor que os médicos, a quem pedimos conselhos sobre saúde, fossem espe­cialistas em nutrição. Mas não são, porque a educação nutricional que os médicos recebem durante sua formação é inadequada. O número de faculdades de medi­cina que inclui nutrição como matéria obriga­tória até caiu nos últimos anos.

Em 1992, em ape­nas 25% das 127 escolas de medicina dos Estados Unidos,
existia um curso de nutrição obrigatório e apenas dois terços
ofereciam nu­trição como matéria opcional.

Por que a nutrição é tão negligenciada? Eleanor Young, Ph. D., professora de nutrição da Universidade do Texas, apresentou uma pa­lestra em que atribuiu essa falha a uma série de fatores. Como o currículo das escolas de medicina tem aumentado demasiadamente, tópicos menos valorizados - como nutrição - são excluídos, sendo que a ênfase é dada ao tratamento de doenças agudas e não à manu­tenção da saúde.

O Dr. Michael Klaper, que oferece um cur­so de atualização em nutrição para médicos, concorda. "Os professores que procuram incu­tir o máximo de conhecimentos clínicos em seus alunos alegam que há coisas mais impor­tantes para ensinar ao médico, muito embora a maior parte do tempo desse médico será de­dicada a tratar pessoas que estão doentes por­que não souberam se alimentar".

Pouca ênfase, pouco respeito

"Não aprendi quase nada sobre nutrição na fa­culdade - nada sobre a rotina diária das pessoas", comenta o Dr. Cohen, patologista formado pela Escola de Medicina Baylor, Houston, em 1977.
"As informações sobre nutrição eram mais es­pecializadas: por exemplo, que soro endovenoso deve receber uma pessoa queimada'? Nada em ter­mos da alimentação para o dia-a-dia dos pacien­tes."

"Naquela época", continua Cohen, "não se re­conhecia o elo entre nutrição e doença". Ele apren­deu sozinho. "Tive a sorte de perceber a importân­cia da alimentação e me tornar autodidata". Ele acabou se tornando vegetariano.

De acordo com médicos que se formaram re­centemente (1994), essa falta de reconhecimento perdu­ra. "Creio que a maioria dos meus colegas se for­mou sem saber recomendar uma alimentação equilibrada a seus pacientes", diz o Dr. Meyerhoff, que formou-se em 1989 pela prestigiada Univer­sidade Rush de Chicago.

Portanto, apesar do crescente reconhecimen­to da importância da nutrição entre os pesquisa­dores, e até entre o público em geral, os estudan­tes de medicina não aprendem a orientar seus pacientes em questões de alimentação.

Como re­sultado, os médicos, que deveriam ser os pionei­ros
na mudança dos hábitos alimentares, estão ficando para trás
.

"Em nosso país, aprendemos medicina voltada para a doença e (má) alimenta­ção não é vista como doença", diz a Dra. Uchitelle, clínica geral e especialista em diabete. A facul­dade de medicina da Universidade de Southern Illinois, em Springfield, onde ela se formou em 1985, tinha um curso obrigatório de nutrição. Entretanto ela mesma confessa: "Ninguém tinha muito respeito. Meus colegas consideravam nutri­ção uma matéria mole, não tão importante quan­to anatomia do cérebro."

Nutrição oculta

A nutrição é incorporada a outras matérias. Em bioquímica, por exemplo, os estudantes aprendem o papel de vários nutrientes a nível molecular, em anatomia e fisiologia, estudam o trato digestivo e como diversos alimentos são processados e como diversos nutrientes são ab­sorvidos; em farmacologia, aprendem como vá­rios alimentos interagem com determinadas dro­gas. Apresentar nutrição de forma tão fragmenta­da não ensina aos alunos que aquilo que a pessoa come pode ser o motivo principal de saúde ou doença.

Os Drs. Young e Weinsier, professores de nu­trição, concordam que a alimentação vegetariana, antes considerada uma dieta perigosa, agora recebe aprovação. Embora frequentemente apa­reça na relação de cursos sobre "dietas da moda", isso é fruto do passado. "Explico que a alimen­tação vegetariana não é modismo", diz a Dra. Young. "Cada vez mais pessoas nos Estados Uni­dos estão voltando para uma alimentação vegeta­riana e a maioria da humanidade se alimenta des­ta forma."

Mas, por melhores e modernos que sejam os cursos de nutrição, de nada adiantam para os es­tudantes de medicina que deles não participam. Como em 75% das faculdades de medicina a nu­trição não é matéria obrigatória e apenas 6% dos alunos optam por nutrição como matéria opcio­nal, a maioria dos estudantes se forma sem nun­ca ter tido aulas de nutrição.

Então, Doutor, o que o senhor sabe?

Em 1988, um estudo do Journal of the Ameri­can Dietetic Association enviou questionários a 4000 médicos do centro-oeste dos Estados Unidos para pesquisar suas atitudes e práticas com rela­ção à nutrição:
  • - 72% dos médicos que responde­ram informaram que não tiveram aulas de nutri­ção na faculdade.
  • - 78 % responderam que não se sentiam preparados para lidar com os problemas nutricionais de seus pacientes.
  • - Mais de 99 % con­cordaram que nutrição é uma parte importante dos cuidados de saúde e, no entanto, não se sen­tem habilitados para ajudar os pacientes a melho­rar a alimentação.
  • - Alguns médicos alegaram que não têm tempo para abordar a alimentação com os clientes.
  • - Outros informaram que não têm auxi­liares treinados para ajudar no tratamento ali­mentar, que o seguro médico não cobre esses ser­viços e que consideram outros problemas de saú­de mais importantes do que a nutrição.
Alguma esperança para o futuro?

O Dr. Klaper fundou o Institute for the Advancement of Nutricion Education and Research (Instituto para a Melhoria da Educação e Pesquisa em Nutrição) na Califórnia, destinado à atualização médica. Assim, poderão ajudar seus pacien­tes a evitar os efeitos debilitantes da alimentação errada. O curso é reconhecido pela American Academy of Family Physicians, o Canadian College of Family Physicians e o American Dietetic As­sociation. Denominado "Deixe o alimento ser o seu remédio", o curso analisa as questões básicas da nutrição - como a alimentação afeta o orga­nismo e seu papel em doenças específicas. Atualmente, o Dr. Klaper recebe correspondência de médicos do mundo inteiro interessados no curso.

Médicos não aprendem a questionar a alimen­tação nem sabem aplicar o conhecimento adquirido. Logo, eles geralmente não recomendam um tratamento alimentar. Preferem indicar um trata­mento à base de produtos farmacêuticos e inter­venções cirúrgicas. "Ao fim do nosso curso, sua vi­são mudou completamente", diz o Dr. Klaper. "Eles verão todos esses clientes na sala de espera, pessoas obesas, diabéticas, hipertensas, arterioscleróticas, e dirão: Ah, eu sei porque estão doen­tes! Já é tempo de colocarmos esta arma podero­sa (a nutrição) no arsenal diário dos médicos".

Médicos e nutricionistas precisam dessa arma poderosa porque seus pacientes querem conselhos sobre alimentação. O interesse do público nas pesquisas está aumentando. "Todos os dias divul­gam artigos sobre a importância da alimentação com pouca gordura e bastante fibras, com muitas frutas e verduras. Também aparecem novas infor­mações sobre a relação entre a alimentação e vários tipos de câncer e outras doenças", diz o Dr. Cohen. “Nos corredores dos hospitais, ouço cardiologistas discutindo a importância do consumo de frutas e verduras para evitar pontes de safena".

O Dr. M. B. Anderson, diretor de programas da Associação Americana de Faculdades de Medici­na, informa que a mesma mudança está come­çando nas escolas de medicina: "Hoje em dia dá-se muito mais atenção ao enfoque holístico, in­cluindo alimentação e situação familiar".
Na Clínica de Cuidados Médicos Integrados em Amityville, N.Y., médicos e residentes vêm a nutrição como elemento básico no diagnóstico e tratamento. "Nutrição é a coisa mais difícil do mundo", diz o Dr. Breasley. "Envolve bioquímica nutricional, imunologia, toxicologia, sensibilidade a alimentos, sensibilidade a produtos químicos, e outras tantas questões. Não se pode tratar doenças sem cuidar da nutrição."
 
Fontes: Vegetarian Times, fevereiro de 1993.
Revista ComTAPS, número 15, 1994. Site: www.taps.org.br

(*) Sharon Bloyd-Peshkin é editora do Vegetariam Times. Corydon Ireland é jornalista nas áreas de saúde e meio-ambiente em Nigara Falls, N.Y.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, citada a autoria e a fonte www.docelimao.com.br 


 

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