A Biotecnologia na Agricultura

Conceição Trucom *

As aplicações da engenharia genética na agricultura encontraram muito mais resistência por parte do público em geral do que as aplicações na medicina. Vários motivos justificam essa resistência, que se transformou nos últimos anos num movimento político de escala mundial. No mundo inteiro, a maioria das pessoas tem uma relação muito íntima com o alimento e naturalmente se preocupa com a possibilidade de que seus alimentos tenham sido contaminados por produtos químicos ou sofrido manipulação genética.

Muito embora não compreendam os detalhes da engenharia genética, ficam desconfiadas quando ouvem falar de novas tecnologias alimentares desenvolvidas em segredo por empresas gigantescas que procuram vender seus produtos sem advertências, rótulos, ou mesmo debates públicos. Nos últimos anos, a diferença entre as propagandas das indústrias biotecnológicas e a realidade da biotecnologia alimentar tornou-se mais do que evidente.

Os anúncios das empresas de biotecnologia retratam um admirável mundo novo em que a natureza será finalmente subjugada. Suas plantas serão mercadorias, fruto de um processo de engenharia genética, e feitas sob medida para as necessidades do consumidor. As novas variedades de produtos agrícolas serão resistentes às secas, aos insetos e às ervas daninhas. As frutas não apodrecerão nem ficarão amassadas e marcadas. A agricultura não será mais dependente de produtos químicos e, por isso, não fará mais mal algum ao ambiente. Os alimentos serão mais nutritivos e seguros do que jamais foram e a fome desaparecerá do mundo.

Os ambientalistas e defensores da justiça social têm uma forte sensação de "déjà vu" quando lêem ou ouvem essas idéias otimistas, mas absolutamente ingênuas, do que será o futuro. Muita gente ainda se lembra de que uma linguagem muito semelhante era usada pelas mesmas empresas agroquímicas há várias décadas, quando promoveram uma nova era de agricultura química saudada como a "Revolução Verde". De lá para cá, o lado negro da agricultura química tornou-se dolorosamente evidente.

Sabe-se muito bem, hoje em dia, que a revolução Verde não ajudou nem os agricultores, nem a terra, nem os consumidores. O uso maciço de fertilizantes químicos mudou todo o modo de se fazer agricultura, na mesma medida em que as empresas agroquímicas convenceram os agricultores de que poderiam ganhar dinheiro plantando um único produto agrícola em áreas enormes e controlando as pragas e ervas daninhas com agentes químicos. A prática da monocultura, além de acarretar o forte risco de que uma grande área plantada seja destruída por uma única praga, também afeta seriamente a saúde dos lavradores e das pessoas que moram em regiões agrícolas.

Com os novos produtos químicos, a agricultura tornou-se mecanizada e passou a ser marcada pelo uso intensivo de energia, favorecendo assim os grandes fazendeiros e agroindústrias munidos de capital suficiente e expulsando da terra a maioria das famílias tradicionais de agricultores. No mundo inteiro, um número enorme de pessoas, vítimas da Revolução Verde, saiu das áreas rurais e foi engrossar as massas de desempregados nas cidades.

Os efeitos de longo prazo do uso excessivo de produtos químicos na agricultura foram desastrosos para a saúde do solo, para a saúde humana, para as relações sociais e para todo o meio ambiente natural do qual dependem o nosso bem-estar e nossa sobrevivência futura.

À medida que as mesmas espécies foram sendo plantadas, ano após ano, e fertilizadas sinteticamente, o equilíbrio dos processos ecológicos do solo se rompeu; a quantidade de matéria orgânica diminuiu e, com ela, a capacidade do solo reter umidade. As resultantes mudanças na textura da terra acarretaram toda uma multidão de conseqüências nocivas inter relacionadas - perda de húmus, solo seco e estéril, erosão pelo vento e pela água, etc.

A única forma de nós, consumidores, interferirmos neste processo é consumindo alimentos provenientes de produção orgânica. Apoiando e fazendo parte das comunidades, ecovilas, associações, prefeituras, etc. que apoiam o cultivo e consumo de orgânicos.

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* Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, citada a autora e a fonte www.docelimao.com.br 

Recomenda-se também a leitura dos livros O poder de cura do LimãoA importância da LINHAÇA na saúde e Alimentação Desintoxicante - editora Alaúde, Mente e Cérebro poderosas - editora Pensamento-Cultrix. O que possibilitará a prática dessa filosofia de vida com responsabilidade. 

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