O mundo das notícias prejudica a saúde mental

Conceição Trucom*

Em 2012 comprei uma filmadora e deixei de aceitar convites para dar entrevistas na TV. Cansei de sair destes 'programas' completamente deprimida, sendo pessimamente entrevistada e inúmeras vezes cortada com perguntas deslocadas ou para ser substituída por matérias VAZIAS.

Com tanto para falar e mostrar sobre a Cultura da Vida, acabei por me sentir, de verdade, um peixe fora dágua, da caverna, da matrix...

Daí nasceram as Aulas online, o TV de BEM, as VídeoDicas, as Entrevistas, o Canal do YouTube...

Adorei o texto a seguir do Rolf Dobelli sobre o mundo das notícias... Mas aproveito para aqui colocar uma outra crítica, sobre os chamados 'lixos eletrônicos' disseminados de forma virtual pelas próprias pessoas que acreditam em meias-verdades recheadas de maldades, desinformações e capitalismo selvagem. 

Vivo IMPLORANDO aos meus leitores e internautas que acendam o PISCA-PISCA diante deste tipo de texto solto, sem começo-meio-fim, cheio de emails sugerindo que você mande para seus amigos também... Alerta: não saiam disseminando-o por aí, pois serão cúmplices destas MALDADES da Cultura da MORTE e ainda com riscos de sofrer invações de privacidades: sua e amigos. Conceição Trucom

Bem, vamos ao Rof Dobelli *

As modernidades – abundância de fast foods, dependência de tecnologia – têm levado a diversos problemas que os cientistas querem nos fazer reconhecer. Muitos de nós já começamos a mudar de atitude – comer melhor, fazer dietas e exercícios físicos, se movimentar mais, etc.

Mas e a saúde mental?
De acordo com Rolf Dobelli, autor do livro "The Art of Thinking Clearly: Better Thinking, Better Decisions" (A Arte de Pensar com clareza - Pensamento):

O mundo das notícias está para a mente como o açúcar está para o corpo.

Por que ler notícias faz tanto mal para a gente?


Notícias são fáceis de digerir. A mídia nos alimenta com pequenas mordidas de questões triviais, petiscos que realmente não dizem respeito a nossa vida e não exigem nenhum pensamento. Ao contrário da leitura de livros e artigos mais longos que requerem pensamento, podemos engolir quantidades ilimitadas de notícias, como "drogas" para a mente.

Notícias enganam. Por exemplo, se uma ponte se colapsa e um carro que estava dirigindo sobre ela cai, no que a mídia foca? No carro, na pessoa no carro, se ela sobreviveu, o que estava fazendo, para onde estava indo... Mas o que é mais relevante? A estabilidade estrutural da ponte. Esse risco subjacente poderia se esconder em outras pontes. Mas o carro é dramático, a pessoa não é abstrata, e essa é a notícia barata de se produzir. Com isso, as pessoas aprendem a superestimar o desnecessário e subestimar o essencial. Simplesmente não somos racionais o suficiente para ser expostos à imprensa. Por exemplo, assistir um acidente de avião na televisão vai mudar a sua atitude em direção a esse risco, independentemente da sua probabilidade real.

Notícia são irrelevantes. Das cerca de 10 mil notícias factuais que você leu nos últimos 12 meses, provavelmente nenhuma permitiu-lhe fazer uma decisão melhor acerca de um assunto sério que afeta sua vida, sua carreira ou seu negócio. O ponto é: o consumo de notícias é irrelevante para você. O relevante versus o novo é a batalha crucial da atualidade. A imprensa quer que você pense que consumir notícias lhe confere algum tipo de vantagem competitiva, mas, na realidade, o consumo de notícias é uma desvantagem.

Notícias não têm poder explicativo. As notícias são bolhas aparecendo na superfície de um mundo mais profundo. Será que saber de fatos superficiais ajudam você a entender o mundo? Infelizmente, não. A relação é invertida. As histórias importantes são não histórias, são movimentos lentos e poderosos que se desenvolvem abaixo do radar dos jornalistas. Quando mais factoides você digerir, menos da verdadeira situação você vai entender (por exemplo, ler sobre ataques terroristas – onde ocorreram, quantas mortes causaram – fala muito, mas muito pouco sobre os motivos, forças e crenças envolvidas nestes ataques, e absolutamente nada sobre o que isto representa para a sociedade).

Notícias são tóxicas. Histórias dramáticas estimulam a liberação de cortisol, hormônio do estresse, no corpo. Isso desregula o sistema imunológico e inibe a liberação de hormônios de crescimento. Em outras palavras, o seu corpo se encontra em um estado de estresse crônico, que causa digestão prejudicada, falta de crescimento (celular, de cabelo, ósseo), nervosismo e susceptibilidade a infecções. Outros possíveis efeitos colaterais incluem medo, agressão e dessensibilização.

Notícias aumentam erros cognitivos. Isso porque alimentam a mãe de todos os erros: o viés de confirmação. Nas palavras de Warren Buffett: "O que o ser humano é o melhor em fazer é interpretar todas as novas informações de modo que suas conclusões permaneçam intactas". Notícias agravam esta falha. Não existe informação suficientemente forte para provocar algum processo de mudança comportamental.
Também, nossos cérebros anseiam histórias que "fazem sentido", mesmo quando isso não corresponde com a realidade. Manchetes como "O mercado mudou por causa de X" ou "A empresa faliu por causa Y" tentam explicar o mundo de forma simplista (e, portanto errônea).


Notícias inibem a concentração. Concentração exige tempo ininterrupto. Notícias são especificamente projetadas para interrompê-lo, e severamente afetam a memória. Existem dois tipos de memória; a capacidade da memória de longo alcance é quase infinita, mas a memória de trabalho é limitada a uma certa quantidade de dados. O caminho da memória de curto prazo a longo prazo é uma passagem que pode ser interrompidas pelas notícias, que perturbam concentração e enfraquecem a compreensão. Notícias online tem um impacto ainda pior, pois podem conter links que obrigam o cérebro a escolher em clicar ou não neles, o que cria mais uma perturbação.

Notícias funcionam como drogas. Normalmente, queremos saber como as histórias continuam/terminam. Com centenas de histórias arbitrárias em nossas cabeças, este desejo é cada vez mais difícil de ignorar. Nossas células nervosas rotineiramente "quebram" velhas conexões e formam novas. Quanto mais notícias consumimos, mais exercitamos os circuitos neurais dedicados a leitura superficial e multitarefa, ignorando aqueles usados para ler e pensar profundamente. A maioria dos consumidores de notícias – mesmo que fossem anteriormente ávidos leitores – perdem a capacidade de absorver longos artigos ou livros. Depois de quatro, cinco páginas ficam cansados, sua concentração desaparece, e tornam-se inquietos – não porque estão mais velhos, mas porque a estrutura física de seus cérebros mudou.

Notícias nos tornam passivos. As notícias são esmagadoramente acerca de coisas que você não pode influenciar. A repetição diária de notícias sobre coisas que não podemos controlar nos torna pessoas mais passivas – nos tortura a ponto de adotamos uma visão de mundo pessimista, insensível, sarcástica e fatalista. Pode ser um pouco de exagero, mas o consumo de notícias pode, pelo menos parcialmente, contribuir para a depressão.

Notícias matam a criatividade. Coisas que já sabemos simplesmente limitam nossa criatividade. Matemáticos, escritores, compositores e empresários mais freqüentemente produzem trabalhos criativos em uma idade jovem. Seus cérebros desfrutam de um amplo espaço desabitado, que os incentiva a buscar ideias. Se você quiser chegar a soluções antigas, leia notícias. Se está à procura de novas soluções, fique longe dessas letras tediosas.

De acordo com Dobelli, a sociedade precisa de jornalismo, mas de um jornalismo diferente. Descobertas importantes não tem que chegar sempre na forma de notícia. Livros e artigos longos são bons, também, com profundidade que ajudem na alfabetização científica do brasileiro, recheados de explicações e questionamentos, e não meros factoides.

"Eu já passei quatro anos sem notícias, para que pudesse ver, sentir e relatar os efeitos dessa liberdade em primeira mão: menos interrupções e menos ansiedade, pensamento mais profundo, mais tempo, mais insights. Não é fácil, mas vale a pena", conclui Dobelli.

(*) [TheGuardian] - Fonte HypeScience


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* Conceição Trucom
 é química, pesquisadora, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Possui 10 livros publicados, entre eles O Poder de Cura do Limão (Editora Alaúde), com meio milhão de cópias vendidas, Mente e Cérebro Poderosos (Pensamento-Cultrix) e Alimentação Desintoxicante (Editora Alaúde).

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