Em crise? Por que não uma risada?

Em crise? Por que não uma risada?

Conceição Trucom*

Turbulência econômica aumenta busca por terapia do riso, que chega a curar depressão

Jennifer Brown

THE DENVER POST

Sabrina Hattar e cerca de 100 outras pessoas cruzaram as pernas, dançaram na ponta dos pés e sorriram muito. Depois bateram palmas cantando: "Ha, ha, ha". Era o fim do exercício do riso número 2, que dava vontade até de urinar.

Uma multidão encheu a biblioteca central em Aurora, no Colorado, recentemente para um seminário de risadas livre, feito para tirar as pessoas da depressão que acompanha uma economia em declínio.

No fim da noite, Hattar – que trabalha como motorista de ônibus apesar de ter graduação em saúde ambiental – estava em uma espécie de transe e ainda dava risadas quando saiu. Ela descobriu que poderia usar mais da alegria em sua vida.

– Estou tendo muitas respostas do tipo ‘não estamos contratando agora’ – desabafa o recém graduado. – E as contas estão acumulando. Às vezes, só resta mesmo rir.

"Por que não?", dizem especialistas diplomados em risos Judy Nosler e Gail Birks. É terapia gratuita que levanta o astral, reduz o estresse e o isolamento social, além de baixar a pressão sanguínea e o colesterol, de acordo com estudos científicos.

E estranhamente o humor não tem muito a ver com isso. Não há um ato de relaxamento ou uma rotina cômica nesses clubes do riso, apenas uma série de exercícios.

– Nós basicamente dizemos às pessoas para forçar o riso – explica Nosler, mulher baixa de cabelos grisalhos com uma gargalhada profunda. – Esperamos que isso estimule o riso autêntico. O humor é uma coisa tão subjetiva. Piadas podem ser extremamente banais.

Nosler e Birks admitem que clubes do riso não são para qualquer um. Mas muitos – mesmo aqueles passando por sofrimento, depressão, término de relacionamento ou demissão – podem dar a si mesmos permissão para rir pelo menos por parte do dia.

– Não estamos dizendo que vamos nos livrar da depressão com esse negócio de rir – disse Birks, a alta, magra e loira da dupla. – Com a prática, quando você faz isso todos os dias, torna-se natural; você pode olhar ao redor e ver mais alegria.

As mulheres dividem um escritório no Centro de Saúde Mental Aurora, onde há uma placa cerâmica que diz "Ria até fazer xixi nas calças". Nosler é uma enfermeira do setor de psiquiatria e Birks é assistente da equipe médica.

Estudos científicos mostram que são muitos os benefícios emocionais e físicos positivos do riso. Uma pessoa pode queimar tantas calorias com três minutos de risos quanto 10 minutos num aparelho de remo, de acordo com um estudo. Risos e exercício produzem muitos efeitos semelhantes no corpo, explica Lee Berk, diretor do laboratório de pesquisa molecular na Escola de Saúde Aliada da Universidade Loma Linda, na Califórnia.

O estudo recente de Berk mostrou que 20 minutos rindo baixa a pressão arterial sistólica e diminui as taxas de colesterol em seis pontos na média.

– É intrigante que algo tão agradável e tão simples, possa baixar a pressão arterial sistólica – constata Berk.

O riso também mostrou que melhora o sistema imunológico, aumentando os anticorpos na saliva que ajudam a combater infecções na boca e no sistema respiratório superior.

Além disso, afeta a região das emoções no cérebro, liberando endorfinas que dão sensação de bem-estar.

– Talvez o mais importante seja que o riso reduz o estresse – observa.

– A realidade é que não há nada mais mortal que o estresse, e o riso talvez seja o componente mais combativo que alguém poderia utilizar.

Pessoas com problemas em liberar suas inibições para rir alto durante o dia deviam olhar para as crianças. Estas, em média, riem 400 vezes por dia, em vez das cinco vezes por dia dos adultos, de acordo com a Turnê Mundial do Riso.

A turnê, que treinou cerca de 5 mil líderes do riso pelo globo, teve início há cerca de 10 anos por Steve Wilson, um homem que não consegue imaginar uma vida sem riso. A terapia do riso foi adotada nos últimos três ou quatro anos porque a comunidade médica abraçou o conceito para pacientes com câncer e outros, conta.

Wilson espera que mais pessoas procurem os clubes do riso por causa do estado atual da economia. Nosler e Birks passaram a visitar recentemente um clube do riso em Aurora.

– Você perde a casa ou o emprego. Não acho que alguém deva dizer, ‘Bem, venha rir; tudo ficará bem’ – diz Wilson. – Mas se você conseguir encontrar algum humor em algo, mesmo que momentaneamente, isso vai restaurar algum equilíbrio emocional.

Jornal do Brasil - Domingo, 29 de Março de 2009

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, citada a autoria e a fonte www.docelimao.com.br 


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