Emergência: Iodo Radioativo de Fukushima

Emergência: Iodo Radioativo de Fukushima

Conceição Trucom *

Funcionários da Comissão Regulatória Nuclear dos EUA*, calcularam uma carga anual de 40.000 microsieverts (ou 4 REM) em crianças menores de um ano de idade, na Califórnia. De acordo com a Gerencia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, divisão de Emergência Médica de Radiação (REMM), uma carga de 5 REM em uma criança é motivo para evacuação imediata e adoção de medidas profiláticas. A REMM não faz referência especifica para o caso infantil. Assim, a carga projetada pelo governo de 4 REM é 80 % do índice sugerido para evacuação.

O Iodo 131 é um isótopo radioativo bio mimético que é capturado principalmente pela glândula tireóide, glândula esta que requer Iodo para seu funcionamento. Em um acidente nuclear é liberada uma grande quantidade de Iodo radioativo, situação que certamente aconteceu na catástrofe de Fukushima, especialmente durante os primeiros dias. A glândula tireóide é incapaz de diferenciar o Iodo comum 127 do Iodo radioativo 129 e 131, e por isto captura qualquer forma química presente, especialmente quando existe no organismo uma deficiência de Iodo.

As consequências negativas para a saúde provocadas pelo Iodo 131 atingem em forma mais agressiva às populações vulneráveis, tais como as mulheres grávidas, o feto, os bebês e as crianças até os 10 anos de idade. Caso o iodo 131 seja inalado ou ingerido, ele permanece no organismo emitindo energia radioativa, danificando principalmente a tireóide e a paratireóide.

De acordo com a EPA, o Iodo 131 tem meia-vida de oito dias, o que significa que ele irá desaparecer completamente em questão de meses, tempo suficiente para provocar efeitos devastadores na tireóide, principalmente se há deficiência de Iodo.

O feto humano, os lactentes e as crianças têm uma glândula tireóide muito pequena e baixa massa corporal. Assim, quando é ingerida uma partícula de Iodo 131 uma tremenda carga de energia prejudicial é dirigida para as células em uma proporção muito maior do que acontece no adulto.

Alguns problemas críticos na captura do Iodo, divulgados pela Agência de Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças [1]

• O recém-nascido capta o Iodo numa taxa 16 vezes maior do que o adulto.

• Crianças com menos de um ano de idade têm uma absorção oito vezes maior do que os adultos.

• Crianças de cinco anos de idade têm uma taxa de absorção quatro vezes maior do os adultos.

• A tireóide das mulheres grávidas tem uma taxa maior de captação principalmente no primeiro trimestre.

• A tireóide do feto tem uma taxa maior de absorção durante o segundo e terceiro trimestre da gravidez.

• As mães que amamentam podem transferir 25% das reservas de iodo para seus bebês.

O Dr. Brownstein disse: “Depois de encontrar baixos níveis de Iodo em certos indivíduos comecei a administrar pequenas quantidades de Iodo / Iodeto (6,25 mg/dia). Após a reanálise desses indivíduos, 1-2 meses mais tarde, houve pouco progresso. Assim, comecei a usar doses mais elevadas (6,25 a 50 mg/dia) para aumentar os níveis séricos de Iodo. Foi só com estas doses maiores que houve melhora clínica e resultados de laboratório positivos."

O Dr. Michael B. Schachter disse: “A dose de tratamento para uma pessoa que está com insuficiência de Iodo é geralmente de 12,5 mg e 50 mg/dia. Uma pesquisa inicial indica que, uma pessoa com insuficiência de Iodo, leva cerca de três meses para se tornar Iodo suficiente considerando uma dose de 50 mg de Iodo, enquanto é necessário um ano para se tornar Iodo suficiente com uma dose de 12,5 mg de Iodo/dia. No entanto, o paciente precisa ser acompanhado de perto em relação a possíveis efeitos colaterais e reações de desintoxicação."

Iodo e Câncer

O consumo elevado de Iodo está associado com um risco menor de contrair câncer da mama. Uma baixa ingesta de iodo está associada com o câncer de fígado. [2] Mulheres com um histórico de baixos níveis de Iodo (hipotireoidismo) enfrentam um risco significativamente maior para o desenvolvimento de câncer de fígado. Pesquisas realizadas no “Manal Hassan of Anderson Cancer Center at the Universidade of Texas” têm encontrado uma associação clínica entre hipotireoidismo e a hepatite C, o que está contribuindo para o aumento da taxa de câncer de fígado no país. 

O Dr. Michael Friedman disse: “Os agentes ambientais que destroem as reservas de Iodo são um risco particularmente para mulheres porque elas ficam expostas ao Iodo 131 radioativo. Depois da glândula tireóide, as porções distais das glândulas mamárias humanas são as maiores usuárias e concentradoras de Iodo. O Iodo é prontamente incorporado aos tecidos circundantes dos mamilos e é essencial para a manutenção e funcionamento de um tecido mamário saudável. O decaimento do Iodo 131 radiativo no tecido mamário pode ser um fator importante na iniciação e progressão do câncer da mama e de alguns tipos de nódulos da mama.”

O “Journal of Nuclear Science and Technology” Volume 50, Issue 3, 2013 contém um artigo entitulado: Estimativa da liberação atmosférica devido ao acidente da central nuclear de Fukushima Daiichi mediante simulações de dispersão atmosférica e oceânica.

Utilizando os melhores dados e modelos disponíveis, o estudo fornece novas estimativas para a quantidade total de Iodo 131 e Césio 137 lançada na atmosfera pelos acontecimentos de Fukushima Daiichi durante o período compreendido entre 12 a 20 de março de 2013 [3]. Este relatório mostra que as quantidades totais de I 131 e Cs 137 descarregadas na atmosfera entre as 5 hrs do 12 de março de 2013 e as 0 hrs do 20 de março de 2013 (horário japonês) foram estimadas em cerca de 2,0 × 1017 e 1,3 × 1016 Bq, respectivamente.

O Iodo 129 - Um risco radiológico crescente

Enquanto todos nós temos sido levados a acreditar que o Iodo 131 de Fukushima já não é uma ameaça importante, devemos também nos preocupar pelos efeitos de outro tipo de Iodo, o isótopo I 129 produzido pela fissão nuclear do urânio 235. Dentro dos produtos de fissão, aproximadamente 75% é Iodo 131 e 25% é Iodo 129. O Iodo 129, embora seja um resultado da fissão nuclear produzida nos reatores, também ocorre em pequena escala na atmosfera superior, devido à interação de partículas de alta energia, o xênon que existe naturalmente. O Iodo 129 tem uma meia-vida aproximada de 15,7 milhões de anos, o que torna este fato uma preocupação extremamente significativa durante o processamento de resíduos nucleares ou na ocorrência de acidentes nucleares.

Durante os primeiros dias após a catástrofe de Fukushima, a quantidade de Iodo 129 liberada foi 31,6 vezes maior do que a quantidade de Iodo 131.

 

De acordo com a “Environmental Protection Agency”, quando é ingerido Iodo 129 ou 131, uma parte se concentra na tireóide e o restante é eliminado pela urina. Os isótopos I 129 e I 131 transportados pelo ar podem ser inalados e absorvidos pelo pulmão, passando logo para a corrente sanguínea e capturado pela tireóide. O iodo restante é eliminado pela urina.

Considerado o organismo como um todo, o Iodo tem uma meia-vida biológica de cerca de 100 dias. Existem, porém, as seguintes meias-vidas biológicas em função de cada órgão:

-> tireóide - 100 dias,

-> ossos - 14 dias,

-> rins, baço, e órgãos reprodutivos - 7 dias.

Uma exposição de longo prazo (crônica) de Iodo radioativo pode causar nódulos ou câncer da tireoide.

Os Isótopos do Iodo 129 e 131 experimentam decaimento tipo beta, o que significa que eles emitem partículas beta durante o decaimento da forma instável para estável. As partículas beta são moderadamente energéticas. Durante este processo também são emitidas partículas gama que são altamente energéticas, podendo ser detectadas fora do corpo, por exemplo, quando são absorbidas pela tireóide as mesmas são detectadas por sensores externos. As partículas beta passam facilmente através dos tecidos moles causando dano no DNA. Literalmente quebram cadeias de DNA e deslocam sequências genéticas. O fato que as torna potencialmente perigosas é a acumulação localizada na tireóide.

Os autores de um estudo realizado em Dartmouth [4] têm declarado: “Devido ao longo período de meia-vida do Iodo 129 e à contínua liberação em curso pela produção de energia nuclear, este isótopo é acumulando em forma perpétua no ambiente e representa um risco radiológico crescente”.

A taxa de produção destes dois isótopos em um reator de produção de energia nuclear ocorre em uma proporção fixa de 3 partes de Iodo 131 para uma parte de Iodo 129. Os dois tipos se transferem juntos, de modo que a presença do isótopo mais facilmente detectável também sinaliza a presença do outro, que tem uma vida mais longa. "Se tivéssemos um evento recente, como Fukushima, teríamos os dois tipos presentes. Embora o iodo 131 decai muito rapidamente ao longo da semana, o isótopo de Iodo 129 ficará essencialmente para sempre”.

Joshua Landis, um pesquisador associado do Departamento de Ciências da Terra em Dartmouth, explica: "Uma vez que o Iodo 131 decai, perde-se a capacidade de rastreamento da migração de qualquer isótopo."

Em uma reportagem do “Pacific Standard” se indica que não existe nenhuma tecnologia disponível para eliminar as quantidades significativas de Iodo 129 que já vazaram nas águas subterrâneas em locais de produção de armas nucleares, incluindo o site Hanford no estado de Washington.

Enquanto isso, França e Inglaterra - que produzem grande proporção de sua eletricidade em usinas nucleares, estão reprocessando o combustível utilizado e eliminando grandes quantidades de Iodo 129 simplesmente despejando-o no oceano.

A disposição do Iodo 129 no oceano parece ter resultado em aumentos maciços de concentrações de núcleos radiativos. As correntes levam o Iodo 129 dos britânicos e franceses para o norte; um estudo dinamarquês realizado em 2013 tem encontrado no estreito de Kattegat, entre a Dinamarca e a Suécia, que a concentração aumentou seis vezes entre 1992 e 2000. As concentrações de Iodo 129 em algumas águas do Ártico são 4.000 vezes seus níveis encontrados nas épocas anteriores à era nuclear. Se considerarmos ainda o I 129 liberado por Fukushima, devemos ter consciência de que temos muitos motivos para nos preocupar.

Conclusão

Todos os pais precisam chegar à conclusão de que devem introduzir o Iodo como complementação em níveis razoavelmente elevados. A situação é ruim e a previsão é que deve piorar. Se ficarmos esperando que os médicos ou que os governos alertem sobre este problema, mais cedo ou mais tarde nos arrependeremos.

[1] http://www.atsdr.cdc.gov/csem/iodine/docs/iodine131.pdf

[2] Hassan, Manal et al; Relação entre o hypotiroidismo e o carcinoma hepatocellular: USA Case-Control Study. Hepatology, May 2009

[3] Estimativa da liberação atmosférica devido ao acidente da central nuclear de Fukushima Daiichi mediante simulações de dispersão atmosérica e oceânica; Takuya Kobayashia, Haruyasu Nagaia, Masamichi Chinoa & Hideyuki Kawamuraa; Journal of Nuclear Science and Technology; Volume 50, Issue 3, 2013; pages 255-264. Confira doc original aqui

[4] Rastreamento do Iodo radioativo originado pelo colapso do reator nuclear japonês. Dartmouth College; April 2, 2012

Comissão Regulatória Nuclear dos EUA

Fonte do artigo: http://drsircus.com/medicine/fukushima-radioactive-iodine-emergency 

Tradução: Fernando Trucco


 

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