Receitas com PANC - Parte 2

Conceição Trucom *

As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) estão cada dia mais necessárias de nosso re-conhecimento, consumo e valorização. Afinal, em momentos de transtornos climáticos são elas as que resistem aos maus tempos.

Recomendo muito a leitura do meu livro E se não houver alimento? (editora Irdin) para quem deseja saber mais. Também as várias Cartilhas sobre PANC que acompanham este livro. E para saber muito mais, recomendo o livro recém lançado do biólogo Valdely Knupp que contém 350 destas PANC, de vários biomas, em fotos e receitas da cultura brasileira.

 Plantas Alimentícias Não Convencionais no Brasil
Um guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas
Instituto Plantarum

Decidi fazer esta série de RECEITAS com PANC, mas dentro dos conceitos da Alimentação Crua e Viva, Desintoxicante e Funcional, ou seja, vegana e integral: nada industrializado, tudo PANC!

Além das receitas aproveitamos para ilustrar BEM-BEM com imagens das PANC que temos plantadas em nossas casas, quintais, jardins, caminhos! 

Vamos à mais receitas: Parte 2 

SALADÕES de POTE

Super na moda porque realmente são MUITO PRÁTICOS para comer na rua, no escritório, no momento daquela fome grande na hora errada... E, nesta viagem temos a oportunidade de colocar as PANC nos potinhos: literalmente!

Vamos conferir como se faz? A ordem no frasco:

  1. TOPO: ingredientes coloridos como frutas e flores comestíveis para agradar o paladar.
  2. Folhas verdes e ingredientes leves como espinafre, alface, rúcula e etc...
  3. Itens pesados que não podem tocar diretamente o molho como tomates (só uso o cereja inteiro, sem picar).
  4. FUNDO: ingredientes pesados que podem suportar o molho, como rabanetes, cenouras, cebolas, feijões (previamente germinados quando possível. No caso daqueles feijões que não recomendamos consumir somente germinados, como o branco e as favas, deixe acordar por 8-12 horas e depois cozinhe) etc…
  5. Molho para salada.

Primeiro separe os potes DE VIDRO bem higienizados
e tudo o que você deseja colocar neles:

Pimentão vermelho e cambuci em tirinhas, abobrinha em dedinhos, cenoura em rodelas, manga em cubos, azeitona picada. O grão-de-bico germinado e sem pele passou por um vapor (bafo) de 1 minuto. Poderia ter outras coisas como rabanete, salsão, funcho, nabo...

As folhas: brócolis (só as flores e folhas pequenas), acelga picada, ora-pro-nobis, folhas da trapoeraba e de bertalha coração. Mas poderia ter também AZEDINHA, capuchinha, caruru, tomilho, bálsamo, alho de folha, hortelã, manjericão... Também repolho branco ou roxo fininho. Perceba que em negrito é tudo PANC!

No fundo do pote os cerca de 20% de proteína + gordura, aqui representados pelo grão-de-bico, mas poderia ser qualquer outra leguminosa (pré-germinada e opcionalmente sem a pele), que como comentei acima, prefiro passar por um bafo de 1-2 minutos ou amornada prévia para tirar aquele sabor de feijão cru, que para alguns não incomoda, mas para o meu gosto pessoal considero ruim. Mas com o bafo ou amornada básica ficam DIVINAL.

Na sequência vá colocando os demais ingredientes,
deixando as folhas, frutas e flores por último.

Não coloquei flores, mas quando iniciamos a prática de consumo das PANC as flores ganham ENORME espaço. E, no referido livro do Valdely Knupp encontramos dezenas delas como: Maria sem vergonha, begônias, acássia, capuchinha, hibisco e por aí vamos...

O molho desta imagem é um delírio dos deuses: bata no liquidificador 2 colheres (sopa) de coco seco germinado ou polpa de coco verde (mínimo 3 mm) com suco fresco de 1 limão, 2 rodelas de gengibre, 1/2 xícara (chá) de água, sal marinho a gosto. Você lembra que não uso óleo isolado mas somente na forma integral? Aqui o óleo da salada é o coco integral, idealmente o germinado. Mas no lugar do coco pode-se usar uma semente oleaginosa germinada (ou só previamente hidratada) como a castanha do pará, gergelim ou girassol.

Pronto, depois de tampados os frascos leve-os para a geladeira para conservar. Depois, leve para o trabalho, viagem ou coma em casa mesmo, porém sem o trabalho de sujar mais nada. Lógico, você pode colocar num prato e comer só a salada balanceada. Mas também pode comer no próprio pote ou usar a salada para compor um prato amornado, caseiro ou do restaurante, ou de visita... Enfim, super versátil. Vantagem que não tem preço: já está balanceado!!!

Na foto abaixo, sobrou um pouco de todos os ingredientes da montagem, daí meu almoço foi este saladão. Só que acrescentei no molho um pouco de manga e virou uma 'maionese' de coco, manga e gengibre: outro delírio...

  

Outras ideias e perceba as flores dando seu ar de graça!

KVAS de Jabuticaba

Entre as PANC temos grande variedade de frutas nativas brasileiras como a uvaia, pitangas, amoras... e a jabuticaba. Saiba mais sobre estas frutas em 10 Frutas Nativas que Curam.

Nativa do Brasil, a jabuticabeira costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o período do descobrimento. “A espécie é encontrada de norte a sul, desde o Pará até o Rio Grande do Sul”, diz o engenheiro agrônomo João Alexio Scarpare Filho, da Esalq. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer dizer “fruto em botão”.

KVAS é uma bebida fermentada, levemente gasosa, de sabor frutal mas de pouca doçura, o que facilita a vida de todos: MENOS AÇÚCAR, mesmo que seja o natural, é sempre bom.

Trata-se de uma fermentação que pode ser de somente pão 'velho', beterrabas orgânicas picadas e água, com diferentes tempos de fermentação, até algo mais frutal ou herbal. Em nosso caso, quando não temos interesse em grau alcoólico, mas somente de ser uma bebida próbiotica com um subproduto simbiótico, usaremos sempre opções de frutas e raízes, misturadas ou separadas, com diferentes graus de açúcar natural (frutose no caso de frutas e sacarose no caso de raízes).

Junto às frutas podemos ainda usar alguma erva fresca para dar um requinte de aroma e sabor exóticos, como o capim limão, mentas, funcho, tipos de manjericão e até flores de vinagreira.

Como semente de fermentação podemos usar:

- pedaço-fatia de pão artesanal (que em geral deixo dentro de um saquinho de voil para não se dissolver nas frutas e ervas),

- uma pitada de fermento biológico seco ou

- 1 copo (150 ml) ou 50% da água adicionada de rejuvelac bem fermentado.

No frasco limpo coloca-se 1/3 de frutas e/ou raízes picadas ou em rodelas. No caso da jabuticaba é importante dar uma estourada em todas elas, com elas já dentro do frasco (para não perder nada), para facilitar a fermentação de sula polpa.

Quanto mais frutas e mais doces elas estão, menos necessário usar 1-2 colheres (sopa) de melado de cana orgânico (ou açúcar mascavo orgânico) para ajudar na fermentação. Portanto, colocar o açúcar-sacarose-isolada é OPCIONAL.

Alguns galhos de ervas frescas também é opcional...

Após 24 horas ou 100% das frutas estarem flutuando, já pode ser feita a separação da bebida probiótica, das frutas simbióticas, hehe!

Porém, se ao provar um pouco da bebida ou pedaço da fruta, sentir que ainda está doce, deixe algumas horas mais para complementar a fermentação.

Uma vez separados leve a garrafa (tampada) da bebida e as frutas (numa tigela com tampa) para a geladeira até o momento de consumo.

É opcional, mas adoro bater as frutas e ervas que fermentaram com pouquíssima (ou nenhuma água) e integrar tudo no kvas. Daí certamente tomaremos uma bebida SIMBIÓTICA: probióticos (microorganismos da fermentação) + prebióticos (fibras das frutas).

No caso da jabuticaba nem bato no liquidificador. Somente passo para uma Panela Furada 2 ou 3 (de poros mais abertos) e extraio a 'manteiga' da jabuticaba numa ordenha divinal e sagrada... Delicie-se! 

Leia também: Receitas com PANC - Parte 1


 

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* Conceição Trucom
 é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citadas a autora e a fonte: www.docelimao.com.br

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