O Ser Eco & Lógico

O Ser Ecológico

Conceição Trucom *

Não pretendo que este texto seja lido (entendido) como mais um blá-blá-blá em defesa da cultura orgânica. O que sim pretendo é que você decida, a partir dos argumentos abaixo, em qual cultura (em todos os sentidos, inclusive aquele substrato que usam os bioquímicos para criar microrganismos em laboratório) você deseja se encaixar, viver e prosperar? 

Todo “eco” só será “lógico”, quando ressoar em todos os ambientes possíveis da nossa sociedade. Quando for pauta para as nossas disciplinas de formação. Quando somar instrução à gestação, ao pré-primário dos nossos próximos hábitos e cultura - Flávio Basset.

Considero GENIAL as expressões usadas pelo Dr. Gabriel Cousens em seu livro A cura do Diabetes pela Alimentação Viva (Alaúde), quando ele compara a Cultura da Vida com a Cultura da Morte.

'Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente'. Deuteronômio, 30, 19.

As futuras gerações

As crianças são as mais vulneráveis da agricultura extensiva e com agrotóxicos. Segundo um relatório do Environmental Working Group (Grupo de Trabalho Ambiental), quando uma criança completa um ano de idade, já recebeu a dose máxima de agrotóxicos que seria permitida para uma vida inteira.

Potencialmente, os bebês estão mais expostos a resíduos químicos do que a maioria dos adultos, basicamente porque consomem mais frutas, legumes e verduras (em relação ao seu pequeno peso) e são mais propensas a absorver toxinas porque seu trato gastrintestinal é mais permeável. 

Um estudo de 2003, realizado pela Universidade de Washington, concluiu que as crianças que comiam frutas e vegetais orgânicos tinham concentrações de pesticida seis vezes menores do que as que consumiam produtos convencionais.

Enquanto os alimentos de cultura orgânica nutrem e protegem as crianças dos agrotóxicos, o alimento derivado da agricultura intensiva contém menos nutrientes do que a produzida há 60 anos. Uma equipe da Universidade de Emory (EUA), analisou amostras de urina de crianças entre 3 e 11 anos alimentadas com produtos orgânicos, e concluiu que praticamente não continham metabólitos de malation e clorpirifos, dois pesticidas de uso tradicional nas culturas convencionais. Entretanto, depois que essas crianças voltaram a ingerir alimentos não orgânicos, os metabólitos rapidamente aumentaram para 263 partes/bilhão, segundo estudo divulgado no dia 21 de fevereiro (2006).

Solo, agrotóxicos e alimentos vazios: as técnicas modernas de cultivo que apostam em um crescimento rápido e altos rendimentos, estão afetando a qualidade do solo, flora e fauna. A qualidade das águas, do ar e nutricional da humanidade.

E, trata-se de um sistema insustentável que depende fortemente de fertilizantes químicos, como o nitrogênio, para manter a ‘produtividade’ alta, mas que produz “alimentos vazios”. Tais “alimentos vazios” contêm propriedades nutricionais insuficientes e suspeita-se que tenham um papel no rápido aumento da obesidade, já que as pessoas comem mais para obter a nutrição de que necessitam.

Um relatório de 2001 da Britain’s Soil Association (Associação Britânica do Solo) analisou 400 estudos de pesquisa nutricional e chegou a conclusões semelhantes: os alimentos cultivados organicamente apresentam mais minerais e vitaminas, melhor dizendo, são alimentos nutricionalmente mais adequados e saudáveis.

As culturas extensivas (monoculturas mecanizadas) vão empobrecendo o solo a cada ano. A tecnologia da agricultura moderna devolve à terra apenas alguns fertilizantes sintéticos que não podem substituir o que se perdeu. Além disso, os herbicidas e inseticidas matam os microorganismos do solo, que têm papel importante em sua fertilidade e ajudam as plantas a crescerem e; matam toda a fauna que preserva o equilíbrio do ecossistema.

O que precisamos defender é a “agricultura via sistemas naturais”, que envolve o uso de cultivos perenes em policultivos, isto é, plantar diferentes vegetais juntos, como praticavam nossos ancestrais em muitas partes do mundo.

Cuidados com a Água: na cultura convencional os agrotóxicos utilizados nas plantações atravessam o solo, alcançam os lençóis freáticos e poluem rios e lagos, comprometendo todo o eco-sistema.

Na irrigação da agricultura orgânica, além de não haver risco de poluir as águas do planeta, somente utiliza-se água limpa e sem poluentes, originadas de poços artesianos controlados ou de minas preservadas.

Amparo ao produtor: o trabalhador rural precisa ser preservado, tanto quanto o solo, a fauna e a qualidade dos alimentos. Inclusive ter motivos para trabalhar e viver com dignidade da terra. Seus filhos, diante desta constatação, terão estímulos para seguir trabalhando na terra.

Adquirindo produtos ecologicamente corretos contribuímos para a fixação do agricultor na terra, para a preservação da terra, para a qualidade de vida e saúde do agricultor orgânico. Evitamos o êxodo rural e, viabilizamos de um dia sermos um agricultor rural.

Além disso, ajudamos também a frenar o envenenamento dos agricultores e famílias por agrotóxicos, situação que vitima cerca de 1 milhão de agricultores no mundo inteiro.

Ao optar por produtos orgânicos, as pequenas propriedades poderão manter-se sem assumir dívidas pela compra abusiva de defensivos tóxicos.

Cidadania e responsabilidade social: consumindo produtos orgânicos, você exercita seu papel social, contribuindo para a conservação e preservação do meio ambiente, além de apoiar causas sociais relacionadas com a proteção do trabalhador e a eliminação da mão-de-obra infantil.

Biodiversidade: a perda das espécies é um dos principais problemas ambientais. A agricultura orgânica preserva sementes e impede o desaparecimento de numerosas espécies, incentivando as culturas mistas (permacultura) e fortalecendo o ecossistema. Assim, a fauna permanece em equilíbrio e todos os seres coexistem em harmonia.

Aquecimento global e economia de energia: precisamos ter a consciência de que o alimento mais saudável e terapêutico é aquele que cresce à nossa volta. A quinoa é excelente para o povo das altitudes (Andes), a tâmara para o povo do deserto e as frutas tropicais para os brasileiros. Precisamos lembrar da enorme quantidade de dinheiro e energia gasta para transportar os alimentos de outros países, estados e regiões. Respeitemos as safras, os ciclos da natureza. Valorizemos o que está perto, mais barato e abundante.

O solo tratado com substâncias químicas, normalmente importadas e caras pelo custo de importação e transporte, libera grande quantidade de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso. A agricultura e administração florestal sustentáveis podem reduzir a emissão desses gases, desacelerando as causas do aquecimento global.

Atualmente, mais energia é consumida para produzir fertilizantes artificiais do que para plantar e colher todas as safras.

Custo social e ambiental: o alimento orgânico não é, na realidade, mais caro que o alimento convencional se considerarmos que, indiretamente, estaremos reduzindo nossas despesas com médicos e medicamentos e os custos com a recuperação ambiental.

Segundo o médico paranaense Dr. Tsutomu Higashi, o primeiro princípio da
segurança alimentar é o de não ser envenenado. “Não adianta se preocupar
com a quantidade de seus nutrientes se o alimento já estiver contaminado”.

Alimentos mais nutritivos e saborosos: uma das principais preocupações da agricultura orgânica é com a qualidade e preservação do solo. O mundo presencia uma grande perda de solo fértil pela erosão, lixiviação de lagos, rios e mares, devido ao uso inadequado de práticas agrícolas extensivas (monocultura). Com a agricultura orgânica é possível reverter gradualmente essa situação.

Solos balanceados e fertilizados com adubos naturais produzem alimentos mais nutritivos. A comida fica mais saborosa, conservando as propriedades naturais dos alimentos como aroma, textura, cor e sabor. São ricos em água estruturada, vitaminas, sais minerais, carboidratos e proteínas. O alimento orgânico não contém substâncias tóxicas nociva à saúde. São mais palatáveis e fáceis de digerir.

Saúde garantida: muitos dos pesticidas utilizados no Brasil estão proibidos em vários países, devido às suas conseqüências nocivas para a saúde humana, tais como câncer, alergia e problemas respiratórios. Um relatório da Academia Americana de Ciências, publicado em 1982, calculou em 1,4 milhão/ano o número de novos casos de câncer provocados por agrotóxicos. Os alimentos de origem animal estão contaminados pela ação dos perigosos coquetéis de antibióticos, hormônios e outros medicamentos; que são aplicados na pecuária convencional, quer o animal esteja doente ou não.

Somente consumindo orgânicos estaremos protegidos do consumo de alimentos geneticamente modificados (transgênicos).

Finalizando: alguns autores e artigos questionam se realmente os alimentos da cultura orgânica são superiores nutricionalmente que os de cultura convencional. Eu penso: tudo bem, existem pessoas de todo tipo, de todo credo, cercado pelas pesquisas que realizou, etc. Não vou agora questionar esta polêmica por este lado. O que desejo que todos reflitam é:

Qual tipo de cultura é mais ecológica e cuida mais
da terra e todos os seres deste planeta?

Leia a Série: O Ser Ecológico vai à Feira
Parte Especial: Água – o elo da vida e da Paz Mundial
Parte 1: As Frutas
Parte 2: As Verduras, Legumes e Hortaliças
Parte 3: As Folhas
Parte 4: Os Cereais e as Leguminosas
Parte 5: As Sementes ou Frutas Oleaginosas

Leia também: Os alimentos da estação
Feiras orgânicas Brasil afora

E assista: Vídeo: A fantástica horta de 400 m² da família Dervaes- EUA 


 

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* Conceição Trucom
 é química, pesquisadora, palestrante e escritora sobre temas voltados para alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida. Possui 10 livros publicados, entre eles O Poder de Cura do Limão (Editora Alaúde), com meio milhão de cópias vendidas, Mente e Cérebro Poderosos (Pensamento-Cultrix) e Alimentação Desintoxicante (Editora Alaúde).

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citadas a autora e a fonte: www.docelimao.com.br

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