Homeopatia e coronavirus (3) – atualizações em prevenção, etiopatogenia e tratamento

Por Dr. JORGE STORACE *
Em 08.04.2020

Este artigo faz parte de uma série iniciada com ‘Homeopatia e Coronavirus – contribuições à prevenção e tratamento’, ‘Homeopatia e Coronavirus (2) – considerações sobre protocolo para manipulação de nosódio Sars-coV-2‘ e ‘Homeopata iraniano relata resultados preliminares positivos no tratamento de casos de Covid-19’ – sugere-se sua leitura em conjunto com os últimos.

A rápida evolução da atual pandemia e o progresso no conhecimento dos elementos da mesma nos obriga a um acompanhamento constante e frequente das notícias que chegam de todas as partes do mundo, de forma a forjar a melhor estratégia para combatê-la – seleciono abaixo os tópicos que para mim mais se destacaram nos últimos dias.

PREVENÇÃO

Os países que tiveram mais sucesso no combate e contenção da atual epidemia foram aqueles que efetuaram um completo lockdown como a Nova Zelândia ou que atuaram de forma mais rápida na identificação e isolamento dos portadores assintomáticos – Taiwan e Coréia do Sul. Dois pilares de suas estratégias foram testagem precoce em grande número e recomendação de uso disseminado de máscaras pela população. Este último item tem sido negligenciado ou minimizado no Ocidente por diversos motivos como baixos estoques disponíveis e baixa aderência pregressa de uso pela população. Mas a recomendação de seu uso deve ser enfatizada como um dos elementos de grande capacidade de redução na disseminação de um vírus respiratório como o da Covid-19:

A máscara mais indicada é a N95, capaz de bloquear a passagem de partículas do tamanho de um vírus – e na ausência desta a máscara comum cirúrgica –porém devido à escassez das mesmas e a destinação prioritária às equipes médicas que combatem a epidemia nos hospitais, máscaras caseiras de material ou tecido impermeável podem ser úteis na medida que diminuem muito a propagação de gotículas e aerossóis respiratórios por parte de portadores assintomáticos. O vídeo abaixo ilustra perfeitamente como a mera respiração os produz e como uma barreira física é capaz de proteger uma população:

Por outro lado pesquisa alemã indica que o vírus sobreviveria muito pouco em superfícies, sendo que a principal forma de contágio seria pessoa a pessoa pela produção das gotículas e aerossóis respiratórios conforme descrito acima, reforçando o imperativo do distanciamento social – nem por isso devem ser afrouxadas as medidas higiênicas como lavagem frequente das mãos e/ou uso de álcool, pois nossa mãos continuam sendo um dos maiores vetores de carreamento de partículas que possam conter vírus para as mucosas oral e nasal:

ETIOPATOGENIA E TRATAMENTO


Sars-Cov-2 atacando a membrana de uma célula.
Foto: IOC/Fiocruz (clique aqui para ir à matéria)

Trabalhos indicam que o vírus Sars-coV-2 penetra nas células da mucosa respiratória, especialmente pulmonar, através da ligação com receptores ECA2 – Enzima Conversora de Angiotensina 2 – presentes em abundância nos pulmões e vasos sanguíneos. Os portadores de doenças cardiovasculares, os hipertensos, os diabéticos, os portadores de doenças respiratórias crônicas como asma e DPOC, fumantes, ex-fumantes e idosos possuem uma expressão gênica maior desses receptores, daí a probabilidade de maior gravidade nos mesmos.

A doença cursa de forma leve inicialmente – com febre, tosse, cansaço, respiração levemente acelerada e muitas vezes com perda de olfato, parecendo uma gripe leve – porém já produzindo lesões pulmonares muitas vezes visíveis em tomografias. Ela pode passar por um período de aparente melhora para rapidamente evoluir para um quadro grave de insuficiência respiratória.

Observações clinicas recentes (1) indicam que o tratamento inicialmente sugerido por pioneiro trabalho francês – hidroxicloroquina 400 a 600mg ao dia associada a azitromicina 500mg ao dia por 5 a 10 dias, sempre sob supervisão médica (risco de arritmias cardíacas e retinopatias com perda de visão) – pode ser realmente eficaz, porém apenas quando ministrado até o quarto dia a partir do início do quadro, isto é, quando ainda está na fase leve, pois dado na fase avançada da doença sua eficácia diminui, ainda que possa ser útil.

Outros tratamentos promissores como o uso de anticoagulantes, antiretrovirais e antiparasitários (2) não podem ser considerados profiláticos por enquanto, se destinando apenas para pacientes graves ou foram apenas testados in vitro, respectivamente.

Outros potenciais tratamentos bem como o estágio do desenvolvimento de vacinas contra o Sars-coV-2 são descritos no vídeo abaixo:

ESQUEMA DE TRATAMENTO HOMEOPÁTICO

Revendo as diferentes indicações vindas de homeopatas de todo o mundo e cruzando-as com conhecimentos e referências próprias, consolido abaixo a seguinte sugestão para:

Prevenção

Até surgimento de uma vacina eficaz – o que deve demorar de 6 meses, na melhor das hipóteses, a 18 ou mais meses – e mesmo futuramente em conjunto com ela, um esquema preventivo homeopático pode ser adotado da seguinte forma:

 Arsenicum album 200CH (sugerido pelo homeopata indiano Dr. Farokh Master, através da farmacêutica Dra. Amarylis Cesar):

5 glóbulos 1 vez por semana (quartas por exemplo) durante pelo menos todo o outono e inverno de 2020.

 Oscillococcinum 200CH ou Oscillococcinum Boiron 200K

5 glóbulos ou 1 flaconete 1 vez por semana (sábados por exemplo), pelo mesmo período.

Tratamento

Na vigência de um quadro semelhante ao epidêmico, a sugestão de um tratamento homeopático sintomático – em paralelo ao convencional que deva ser instituído – é o que segue:

 China officinalis CH6 + Echinaea purpurea CH6 + Bryonia alba CH6

5 glóbulos 4-6 vezes por dia por 7 a 10 dias.

Reservaria o uso da Camphora apenas ao quadro mais grave por assemelhar-se mais à ele do que ao quadro inicial – e para evitar-se o efeito de antidotação à outros homeopáticos, característico deste medicamento – nesse caso podendo ser adotado o esquema sugerido pelo homeopata indiano Dr. Rajan Sankaran, conforme discutido em artigo anterior:

 Camphora 1M 6/6hs em infectados;

 Camphora 10M 6/6hs em casos de complicações pulmonares graves.

Observação importante: A possibilidade de produção de um heteroisoterapico do vírus Sars-coV-2 já foi anteriormente extensamente discutida e pode ser lida nesta postagem.

Lembrando: este artigo faz parte de uma série iniciada com ‘Homeopatia e Coronavirus – contribuições à prevenção e tratamento’, ‘Homeopatia e Coronavirus (2) – considerações sobre protocolo para manipulação de nosódio Sars-coV-2‘ e ‘Homeopata iraniano relata resultados preliminares positivos no tratamento de casos de Covid-19’ – sugere-se sua leitura em conjunto com os últimos.

REFERÊNCIAS:

(1) Efficacy of hydroxychloroquine in patients with COVID-19: results of a randomized clinical trial – Zhaowei Chen, View ORCID ProfileJijia Hu, Zongwei Zhang, Shan Jiang, Shoumeng Han, Dandan Yan, Ruhong Zhuang, Ben Hu, View ORCID ProfileZhan Zhang, Medrxiv, BMJ, Yale

(2) The FDA-approved Drug Ivermectin inhibits the replication of SARS-CoV-2 in vitro – LeonCaly1Julian D.Druce1Mike G.Catton1David A.Jans2Kylie M.Wagstaff, Antiviral Research

(*) Dr. Jorge Storace: SITE

ATIVIDADE ACADÊMICA:
 
- PROFESSOR: Curso de Especialização em Homeopatia / Pós-Graduação Sensu Latu - FACIS/IBEHE - 1992-2006
- MESTRADO: Homeopatia - Faculdade de Ciências da Saúde / Instituto Brasileiro de Estudos Homeopáticos - FACIS/IBEHE - 1999-2002
 
FORMAÇÃO ACADÊMICA:
- ESPECIALIZAÇÃO: Título de Especialista em Homeopatia - CFM/AMB/AMHB - registro CRM-SP No12592/91  - 1990

- PÓS-GRADUAÇÃO: Medicina Homeopática - Escuela Médica Homeopática Argentina - Buenos Aires - 1988 
- ESTÁGIO: Especialização em Homeopatia - Centro Médico Homeopático de São Paulo David Castro - 1986-1988
- UNIVERSITÁRIA: Graduação em Medicina - PUC-SP – Centro de Ciências Médicas e Biológicas de Sorocaba - 1981-1986

- PRÉ-UNIVERSITÁRIA: 1o e 2o graus - Colégio Dante Alighieri - 1970-1980

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