O que é a Linhaça

Conceição Trucom *

Nome botânico: Linum usitatissimum L.

Família: Lináceas

Outro nomes: Linho-da-terra, linho-do-inverno, linho-galego, linho-mourisco

Habitat: Originária do Oriente Próximo, mas cultivada em numerosos países de clima temperado da Europa e da América.

Descrição: Planta herbácea de 40 a 80 cm de altura. O seu caule é ereto e as folhas são alongadas e estreitas. As flores são de cor azul clara, com 5 pétalas. O fruto é uma cápsula globulosa - a cachopa -, contendo de 7 a 11 sementes. Cada planta pode ter dezenas de cachopas. 


 

Confira as imagens de uma plantação em plena florada aqui.

A semente: é plana e ovalada com borda pontiaguda. Mede tipicamente cerca de 2,5 x 5,0 x 1,5 mm. Tem uma textura lisa, brilhante e sabor agradável que lembra o de nozes. Sua cor pode variar desde o marrom-avermelhado até o amarelo brilhante (dourado), função somente do teor de pigmento de cada variedade ou técnica de cultivo. Quanto mais pigmento, mais escura.
 


 

Produção por hectare: Varia de 600 a 1.500 kg. O clima influi muito na produtividade e a média brasileira é de 850 à 900 kg/ha.

A semente de LINHAÇA nada mais é que a semente do LINHO - Linum usiotatissimum L. - que é uma planta herbácea, cujas variedades se destinam à indústria têxtil (o linho), de tintas e vernizes, ração animal e para a alimentação humana.

Historicamente sua origem encontra-se na Ásia e o norte da África, região onde animais de grande porte como o cavalo (por quase 2 milhões de anos) a elegeram como alimento hiper-concentrado de energia e valor protéico, para que sobrevivesse aos mais rigorosos invernos.

Mas a humanidade, além de seu uso têxtil, tem consumido a semente de linhaça desde a Antigüidade. Existem indícios de sua utilização desde 5.000 a.C., na Mesopotâmia e dali se espalhando através da Europa, África, Ásia e finalmente América do Norte.

Existem também relatos sobre o cultivo do linho nos países mediterrâneos para obter fibra têxtil há 4000 anos, e de que há mais de 2500 anos já a utilizavam como medicamento. Hipócrates já a recomendava como emoliente no século V a.C.

Em 1550 foi trazida para os campos do sul do Brasil, ambiente ideal para a sua cultura.

A cultura do linho subsiste até hoje nesta região, principalmente pela tradição de seus colonizadores (russos, ucranianos, polacos, alemães e italianos), que já lidavam com esta cultura em seus países de origem. Curiosamente é a Região Missioneira onde os Jesuítas espanhóis introduziram a planta há 5 séculos, quando ainda era território espanhol.

A cultura da Linhaça tem especificidades de trato e clima que só com o passar de vários anos é que se aprende a lidar com ela. Uma delas é que em parte de seu ciclo a planta hiberna sob um frio em torno de 0ºC.

Em tempos passados (50-60 anos) já houve cultivo nas mais diversas regiões do Rio Grande do Sul: no sul (região de Pelotas), no sudoeste (região de Santana do Livramento) e também na serra do nordeste (região de Veranópolis e seu entorno). Sendo que nesta época, em algumas destas regiões, também era aproveitado o próprio pé do linho, para obtenção da fibra para tecidos. Fala-se que já houve produção de até 50 a 60 mil toneladas ano, naquela época.

Os 4 maiores produtores mundiais são o Canadá, EUA, Índia e China seguidos por outros como a Ucrânia, Rússia, Bélgica, França e Alemanha.

Na América do Sul os produtores são Argentina, Uruguai e Brasil. Nos últimos 3 anos a produção brasileira foi crescente, mas existe uma expectativa de redução para a safra de 2006 por questões de política de preço e câmbio.

ANO Produção (ton.) Consumo humano (ton.)
2003 4.000 -
2004 7.000 -
2005 12.000 1500

Entretanto, no segmento alimentação humana as expectativas são mais promissoras, pois se acredita que o consumo do brasileiro de semente de linhaça aumente cerca de 10% ao ano.

Hoje se estima que somente 2% dos brasileiros sabem dos benefícios da linhaça para a manutenção da saúde. Mas em países de grande produção como os EUA e Canadá, a demanda por este alimento deve ser de 10 a 20 vezes maior que no Brasil.

Uma planta nobre e de inestimável valor em toda a estória da humanidade. Ela é utilizada quase na sua totalidade pois:

  • - Do caule se retiram as fibras para produzir o linho, tecido nobre, usado desde os primórdios da civilização, para confeccionar roupas e artefatos;
  • - Das sementes, se extrai o óleo, que é utilizado nas indústrias de tintas, vernizes e resinas; ou
  • se prensadas a frio e condições especiais, o óleo obtido é utilizado para consumo humano;
  • - Após a remoção do óleo das sementes da linhaça por compressão a frio (grau alimentício) ou com solventes (grau industrial);
  • - O farelo restante é tratado e fornecido para a indústria de ração animal (aves, eqüinos, bovinos, etc.).

Portanto, a semente de linhaça e seus derivados devem ser utilizados como um saudável complemento alimentar, podendo ser adicionados às frutas, vitaminas, massas, pães, bolos e cereais. Por suas qualidades nutracêuticas, receitas onde a semente de linhaça e seus derivados fazem parte, sempre serão nutritivas, com a vantagem de nutrir, tratar a saúde e prevenir doenças.
 

Assista: Vídeo: tempo de florada da Linhaça

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(*) Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, o bem-estar e a qualidade de vida.

Extraído do livro A importância da Linhaça na saúde editora Alaúde.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e fonte: www.docelimao.com.br

Recomenda-se também a leitura na íntegra dos livros De BEM com a Natureza e Alimentação Desintoxicante (ambos Editora Alaúde), o que possibilitará a prática desta alimentação e filosofia de vida com consciência e responsabilidade.  

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