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Por Albermari Sobreira e Dr. Hamilton Rodrigues
A segunda necessidade básica humana é a fome. Poucas horas após o nascimento o bebê precisa ser alimentado. O bebê se desliga do cordão umbilical para se re-ligar ao seio materno. A amamentação é muito mais que o aleitamento natural, pois, vai além de nutrição. Constitui o primeiro passo em direção a um adequado desenvolvimento do reflexo de deglutição (característico da espécie humana). A amamentação se consagra como gesto de carinho que a criança registra em seus sentidos e mais tarde refletirá em segurança, auto confiança, garra de ir em busca do que quer... Ocorre aí uma satisfação afetiva e neuro-sensorial imprescindível ao recém chegado.
Não há melhor alimento para o recém-nascido, ao menos até os seis meses, que só e apenas leite humano. Ele mata a fome, a sede, é vacina, é remédio, além de proporcionar uma incontestável satisfação emocional ao bebê e à mãe.
A amamentação na posição e tempo adequados, acrescidos do não uso de chupeta e mamadeira possibilitam, não só o desenvolvimento da posição correta da língua durante a deglutição, mas também da respiração nasal com a boca sempre fechada, que mais tarde se refletirá em boa capacidade de concentração na escola, comportamento tranqüilo, menor chance de infecções respiratórias (bronquites, asma) e um melhor funcionamento do aparelho digestivo livre de doenças alérgicas e infecciosas. Contribui ainda para o desenvolvimento adequado do posicionamento dental, da postura espacial da cabeça e do corpo, favorecendo a plena capacitação neurológica, motora e de linguagem. É uma verdadeira prevenção aos tratamentos ortodônticos e ortopédicos.
A criança deve ser amamentada até o momento em que manifesta o andar bípede e independente. Em condições naturais isto ocorre entre o décimo e o décimo quarto mês após o nascimento, instante em que o primeiro dente superior toca o primeiro dente inferior, a língua mostra uma incipiente, mas, adequada posição de deglutição, estabelecendo-se um estímulo natural para o posicionamento espacial da cabeça e conseqüentemente do corpo, o que permitirá a articulação dos primeiros passos de forma livre, sem apoios.
Posição sentada (vertical) de Amamentação:
Entre as várias questões que envolvem a amamentação do ser humano, uma das mais importantes é a postura de amamentar.
No paradigma cultural em que vivemos, 99% das crianças são levadas a mamar deitadas, posição que contraria a nossa espécie, pois o ser humano é bípede e se alimenta instintivamente de maneira verticalizada.
A posição vertical do recém-nascido na hora da amamentação é fator determinante da correta postura humana.
Um bebê que amamenta sentado está respeitando a sua natureza e possibilitando um perfeito crescimento físico, emocional e mental, além de estimular todos os seus sentidos e ganhar condições para o seu pleno desenvolvimento.
Consequências de uma Amamentação na posição inadequada (bebê deitado):
- Alterações musculares que podem ocasionar desvios no crescimento do bebê.
- Posicionamento de cabeça alterado.
- Problemas respiratórios.
- Acúmulo de leite no canal auditivo (otites).
- Deglutição atípica com alterações no posicionamento da língua, ocasionando futuramente deformações nas arcadas dentárias.
- Alterações no tempo e na qualidade da amamentação.
Benefícios da Amamentação na posição verticalizada (bebê sentado):
- Correta orientação do crescimento músculo-esquelético.
- Proporciona um correto posicionamento e sustentação da cabeça, contribuindo para uma postura (de vida) plena.
- Evita problemas respiratórios, auditivos e de deglutição.
- Estímulo adequado das glândulas mamárias, proporcionando uma qualidade de amamentação ideal.
- Possibilita troca de olhares entre mãe e filho.
- Traz maior saciedade ao bebê, que nessa posição ativa, fica mais acordado e menos cansado.
- Favorece todo o processo digestivo de recém-nascido.
Comentários da Dra. Ana Paula Andrade:
Durante o ato da amamentação é importante estar sentada em uma poltrona pequena, com braços, de tal forma que a mãe possa:
Recostar porém mantendo uma postura ereta da coluna.
Apoiar seus braços sem forçar a coluna por compensação na sustentação do bebê.
Ter uma almofada para apoiar os pés e sustentar confortavelmente o bebê sentado em suas pernas.
Esse texto faz parte da Revista Especial Kids de Fevereiro 2010.
Leia também: Kepinas - Amigas do peito e do bebê
Dr. Hamilton Rodrigues é cirurgião dentista há 25 anos, discípulo do Dr. Mário Baldani, mestre e criador da Biocibernética Bucal. Saiba mais sobre seus atendimentos aqui
Albermari Sobreira é mãe e doula - acompanhante de parto - do Hospital Amparo Maternal (São Paulo/Sp). É consultora de gestantes e amamentação. Saiba mais sobre seus atendimentos aqui
Dra. Ana Paula Andrade é mãe, fisioterapeuta e professora de educação física. Dirige a Clínica ViverBem (Guarujá/SP). Fone: 13 3326.6907 ou Email:
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